O Corinthians não foi campeão da Copa São Paulo de Juniores de 2011, perdendo nas oitavas contra o Deportivo Brasil, notei que naquele elenco alguns garotos possuíam algo que é o símbolo Corintiano, a raça, determinação, e o espirito guerreiro, citarei apenas um, com quem tive o enorme prazer de conhecer através de um bate papo interessantíssimo que me mostrou que eu não estava errado.
Vincent Bikana foi o nome da vez, Africano, Camaronês, família humilde, órfão de pai e mãe, um grande talento, tem muito o que aprender e aperfeiçoar com um pouco de tempo, paciência e calma, mas nota-se que o futebol corre em suas veias, Vincent não é aquele beque com muita técnica e faro de gol, ele é das antigas, estilo Célio Silva (ex-zagueiro Corintiano), um desarme impecável, se posiciona bem, bom no jogo aéreo, muita raça, determinação e boa vontade.
Vincent foi descoberto em 2009 jogando bola em um campo de terra batida, em Douala, em Camarões, o que chamou a atenção do empresário Brasileiro Fabrício Zanello foi a sua vantagem física em relação aos outros garotos, e a qualidade técnica; Fabrício Zanello do Olé Brasil de F.C, clube de Ribeirão Preto, interior paulista, convidou-o para jogar no Brasil no mesmo clube.
Da descoberta para os dias de hoje, Vincent começou a viver um sonho, ser jogador de futebol, sonho do qual nunca desistiu, o camaronês sempre acreditou que poderia ser um grande zagueiro, e os caminhos se abriram, após se destacar pelo Olé Brasil pelo Campeonato Paulista sub-17 2010, na qual foi acusado de ‘’gato’’, mas tudo foi provado, e Vincent foi contratado por empréstimo pelo Corinthians, e hoje luta para subir ao elenco principal, mas seu destino no PSJ pode estar com os dias contados, ele pode ir para a Europa, o Timão não quer pagar o valor de 1 milhão de reais, por 50% do passe do garoto.
Bom, isso é um resumo sobre Vincent, agora vamos para o bate papo.
Pablo Rezende: Vincent, como tá sendo para você jogar no Corinthians?
Vincent: Estou vivendo um sonho, eu realmente gosto daqui, e espero poder ficar.
Pablo Rezende: Qual seu maior sonho hoje?
Vincent: Quero subir para o time profissional e quem sabe um dia ir para a Europa.
Pablo Rezende: Como era sua vida antes de vir para o Brasil, e como ela é hoje?
Vincent: Era muito difícil, eu me alimentava apenas duas vezes por dia, passava por muitas dificuldades, jogava em campo de terra, já passei fome, e eu não quero mais isso, aqui eu tenho tudo que eu não tinha lá.
Pablo Rezende: Como que te descobriram lá em Camarões?
Vincent: Eu estava jogando futebol com meus amigos no campo de terra, e um empresário que estava na África procurando jogadores me viu, e me fez o convite de vir jogar aqui, e eu aceitei, era o meu sonho.
Pablo Rezende: E como foi a adaptação aqui no Brasil?
Vincent: No começo foi muito difícil, a língua é outra, cultura, pessoas, foi muito difícil, mas agora está mais fácil, ainda tem algumas palavras que eu não sei falar.
Pablo Rezende: E como foi para você a chance de vir jogar no Brasil, e consequentemente poder jogar em um dos maiores clubes de futebol do mundo, o Corinthians?
Vincent: Na hora eu não acreditei, não estava acreditando, de um campo de terra na África a uma marcação individual no Ronaldo, foi bom, nunca vou me esquecer disso, nunca vou esquecer do Corinthians.
Pablo Rezende: O Corinthians no futebol brasileiro é umas das maiores vitrines para o futebol europeu, caso você vá mesmo, foi esse clube que lhe deu projeção, e como fica caso um dia você jogue contra o Corinthians?
Vincent: Agradeço muito ao Corinthians, foi aqui que eu fui visto de fora, caso eu vá embora para a Europa, e será difícil jogar contra esse time.
Pablo Rezende: Como anda as negociações em relação a sua permanência no Timão?
Vincent: Eu não sei se eu vou ficar, mas a minha vontade é de ficar, e se Deus quiser vou ficar, mas eles (diretoria) não querem pagar para os empresários, mas eu quero ficar, mas se eu for embora, agradeço muito ter jogado aqui.
Pablo Rezende: Como foi para você a primeira convocação para representar a seleção de Camarões sub-21 em um amistoso contra a Bulgária dia 9 de fevereiro?
Vincent: Está sendo muito importante para mim, é a minha primeira convocação, tenho que ir com muita vontade e determinação, ‘’jogar pá caraio’’.
Pablo Rezende: Para finalizar Vincent, deixe uma mensagem de incentivo para a Fiel torcida caso você suba para os profissionais, e o que eles podem esperar de você?
Vincent: Eu amo essa torcida, que eu tenho muita vontade de jogar nos profissionais, sempre esperem de mim um bom trabalho, com muita vontade e determinação.
Pablo Rezende: Vai jogar com raça e com o coração?
Vincent: Vou sim, podem esperar.
Essa foi mais uma entrevista Esporte na Rede – Entrevista feita por Pablo Rezende com Vincent via Messenger. Erros de ortografia e tradução foram corrigidas.